Guitarra e Violão Contrabaixo

Que tipo de guitarrista eu sou? O que "sola" ou o que "improvisa"?

Por: Alexandre Bastos | Categoria: Guitarra e Violão, Improvisação 24381 exibições Dificuldade Intermediário

Olá, pessoal do Guitar Battle!

Nesta lição, nós iremos tratar da questão “guitarrista que sola” x “guitarrista que improvisa”. Para isto, pense na situação de que é  mais um dia comum de aula na vida de um professor de música e surge um aluno com a seguinte pergunta: “Professor, já estou sabendo todas as escalas, todos os arpejos e todos os tipos de acorde. O que faço agora com isso tudo?”.

A resposta para essa pergunta é simples. O aluno deve fazer música. Apesar desta resposta ser direta e objetiva, muitos alunos ainda não conseguem vislumbrar a simplicidade da resposta acima.

É muito comum executarmos escalas de uma maneira linear, muitas vezes improvisando de maneira tonal (o que também não é de todo incorreto) e na maioria das vezes esquecendo-se de pensar em acordes ou no gênero musical.

Neste momento, eu gostaria de fazer uma pergunta de fundamental importância: “você sola ou improvisa?”

Eu fiz esta pergunta a mim mesmo há algum tempo e conclui que eu solava mais do que improvisava. Mas o porquê da indagação e qual a diferença entre solo e improviso?

A diferença entre um solo e um improviso vai além dos verbetes do dicionário. Está na colocação destas palavras na música.

Um solo é o destaque principal de uma peça musical e que destaca unicamente um instrumento, seja pela habilidade técnica ou melódica fazendo da técnica um fim para a composição musical.

Um improviso segue justamente o contrário. Um improviso pode ser construído sobre uma harmonia definida e pode seguir uma melodia pré-estabelecida, criando variações sobre a melodia principal, podendo alterar as notas desta melodia ou criando uma nova melodia sobre a melodia principal, reproduzindo os motivos, sejam eles melódicos ou rítmicos do tema principal. Em outras palavras um improviso é parte integrante da composição onde este momento não destaca somente um único instrumento. Enriquece a composição como um todo. Costumo dizer que um improviso é uma composição instantânea e que deve como já disse anteriormente, valorizar a peça musical como um todo.

Se você se fez esta pergunta e se coloca na primeira situação é bem provável que também se pergunte o que deve fazer com todas as escalas e arpejos que já sabe.

Dentro desta forma de pensar, vou propor dicas importantes para o começo de um novo olhar sobre este assunto tão apaixonante, intrigante e instigante que é a improvisação.

Vou propor um pensamento sobre técnica e velocidade.

Velocidade não é o item mais importante em uma improvisação. Quando falamos em improvisação temos que pensar em escolha de notas, contorno melódico, motivos, notas do acorde, harmonia e etc.. Resumindo, velocidade não é tudo.

Ter técnica não é tocar rápido, é ter o domínio de várias ferramentas quanto à execução de um instrumento. Então podemos concluir que música não é uma corrida onde ganha quem é o mais rápido, pois estamos falando de arte e arte não pode ser encarada como uma competição.

Como primeiro exercício, vamos tomar apenas dois acordes. Estes acordes são C7M e Eb7M. Vamos estabelecer que para cada um destes acordes, nós utilizaremos dois compassos de duração. Sobre estes dois acordes nós tocaremos apenas a escala maior de cada um deles.

A seguir temos 2 shapes para a escala maior. As notas em destaque nos círculos brancos correspondem à posição da tônica da escala e definem a tonalidade em que se vai tocar. Posicione a tônica de qualquer um dos shapes na terceira casa da corda Lá para tocar sobre o C7M; e na sexta casa para tocar sobre o Eb7M.

Shape 1

Shape 1

Shape 02

Shape 02

 

 

 

 

Dentro disso vamos estabelecer as seguintes regras:

  • Tocar cada uma das escalas apenas em semínimas, procurando assimilar a sonoridade de cada um dos intervalos da escala;
  • Tocar somente as notas que compõem cada acorde (C7M = Dó Mi Sol Si e Eb7M = Mib Sol Sib Ré) e assimilar auditivamente as notas de maior força, as notas que causam maior tensão e as notas de menor força;
  • Tocar cada uma das escalas propostas até seu intervalo de nona maior (o intervalo de segunda maior acima da oitava da escala);
  • Enfatizar os intervalos que não formam estes acordes, procurando “saborear” quais são as melhores opções e as notas que causam tensão indesejável contra estes acordes;
  • Restringir em apenas cinco casas no instrumento, a execução destas escalas.

Esta abordagem de estudo costuma trazer resultados muito satisfatórios no que concerne à assimilação de escalas e fraseado, pois nos obriga a pensar em intervalos e notas da escala e não em digitações estabelecidas.

Fazendo novamente o mesmo exercício, vamos apenas trocar um intervalo. Ao invés de utilizarmos o intervalo de quarta justa (para Dó maior a quarta justa é a nota Fá e para Mib Maior a quarta justa é a nota Láb), vamos utilizar o intervalo de quarta aumentada (Fá# e Lá respectivamente para Dó e Mib) e refazer todo o processo anterior. Com isso, podemos observar que o intervalo de quarta aumentada se estabiliza melhor contra um acorde maior com sétima maior, podendo ser esta nova escala (modo lídio) a melhor opção para este acorde.

Dentro desta dica, podemos “turbinar” um pouco mais este conceito, utilizando estas mesmas regras e executando este exercício em apenas uma corda e com apenas um único dedo.

Um abraço e até a próxima!

Alexandre Bastos Tenha aulas particulares São Paulo / SP | 2 músicas | 13 batalhas | 18 lições
Guitarrista há 27 anos, atuou em varias bandas covers e autorais. Em 2000 foi quarto lugar no fes ...leia mais »
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